sexta-feira, 26 de junho de 2026

estudando temas atuais- a realidade


Por outro lado, na ausência de uma síntese simbólica, a única relação possível entre

imaginação humana e mundo material se torna de tipo matemático. Isso acontece ao mesmo

tempo que a atividade econômica adquire uma importância extraordinária com o advento do

capitalismo. A economia passa a ser o centro da realidade, e a medida do encaixe do sujeito na

realidade se torna o seu sucesso econômico. Pressupõe-se que, se o indivíduo compreende a

realidade, terá sucesso econômico; desaparecem a sorte e o acaso. A ecácia econômica ganha

o posto de padrão cognitivo, e todo liberal tende a raciocinar segundo a crença de que o

sucesso econômico prova a veracidade de suas idéias.

Naturalmente, surgem inúmeras formas de revolta contra esse espírito liberal, em especial o

nazismo e o fascismo.

Em um mundo onde só existem as “coisas materiais” denidas pela quantidade, e por outro

lado algo de evanescente chamado “pensamento humano”, que lugar haverá para Deus e os

milagres? Deus recuou para uma distância imensurável, ou, como diz Arthur Koestler, “deixou

o telefone fora do gancho”. A conclusão necessária, segundo essa perspectiva, será que não

pode haver presença de Deus no cosmos material porque Deus é espírito e espírito só existe na

mente humana, não no mundo material. Deus se reduz a uma idéia que temos, na qual você

pode até acreditar, na qual você pode até ter fé, mas que jamais passará de uma idéia nem

tampouco se manifestará no cosmos. Assim, o Deus dos cristãos hoje parece o Deus islâmico:

é um Deus absolutamente inatingível, que nunca está presente. Mas a essência do cristianismo,

bem ao contrário, é a Encarnação, é a presença real de Cristo. Ele nos disse: “Eis que estou

convosco todos os dias, até a consumação do século” (Mt 28, 20). E nós observamos sua

presença por meio dos milagres.

 

 

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